Você ainda assiste TV? Se a resposta foi “sim”, já deve ter visto e escutado uma chamada que diz assim: “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo”, que passa de vez em quando nos intervalos dos programas da Rede Globo. E ela nunca fez tanto sentido como ultimamente.

Brilhantemente definido por Geraldo Barros, professor titular da USP/Esalq e coordenador do Cepea, Agronegócio “é a expressão que resulta da fusão de agricultura ou agropecuária e negócio”. Simples e muito significativo, já que sem ter o que comer, simplesmente o mundo para. Essa relação evolui a cada década, mas sempre existiu.

Agora reflita: quando um segmento da economia esteve tão em evidência como o agronegócio no Brasil nos últimos anos? A quais fatores podemos atribuir todo esse interesse?

Números de crescimento constante? Participação expressiva no PIB? Melhoramento animal e vegetal? Otimização da produção e redução de custos? Novas pesquisas laboratoriais e tecnologias aplicadas no campo? Aumento da produção X sustentabilidade? Agroindústria familiar? Responsabilidade ambiental e impactos no ecossistema?

Misture todos esses ingredientes a um maior envolvimento da sociedade com o assunto, e não mais somente os diretamente ligados à atividade agrícola, e teremos a resposta para a grande notoriedade que o segmento ganhou.

Diante de todos esses fatos, quais são as expectativas do mercado para com os novos profissionais que estão se formando nas universidades e logo vão compor algum papel dentro desse enorme universo do agronegócio?

Em um mercado cada vez mais globalizado e amplamente voltado à exportação, o idioma inglês deixou há tempos de ser um diferencial e passou a ser exigência, mas quais outras línguas estão sendo solicitadas?

Para entender um pouco mais sobre a situação do setor agrícola e verificar onde esses novos profissionais poderão se encaixar, vamos abordar neste artigo:

  • Alguns números recentes do agronegócio nacional, apresentando um breve panorama da situação do setor;
  • Os principais e atuais assuntos ligados à agroindústria brasileira;
  • As perspectivas de futuro para os universitários que almejam ser os novos profissionais para atuar na área diante desse cenário de desafios e oportunidades.

1. Situação atual do agronegócio no Brasil

Como é de conhecimento geral, a população mundial só aumenta. Com o Brasil não é diferente e para alimentar e abastecer esse volume crescente, temos um setor agrícola se fortalecendo, ano após ano, e impulsionando a retomada da economia.

Estima-se que o país, que está entre os maiores produtores de alimento do mundo, alcance o posto mais alto já na próxima década. De acordo com a Forbes, projeções indicam que, até o ano 2050, o agronegócio brasileiro deve crescer de três a quatro vezes mais que os concorrentes globais,

No ano de 2017, a reunião das operações agroindustriais foi responsável por 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mesmo ano em que atingiu mais de 44% das exportações brasileiras, superando 96 bilhões de dólares, de acordo com a Revista Exame.

Em 2018, o PIB do agronegócio ficou estável, com recuo de 0,01% na comparação com o ano anterior, pelo relatório da CNA.

De acordo com pesquisas realizadas pelo Cepea – Esalq/USP junto a Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), o número de pessoas ocupadas (PO) no agronegócio brasileiro somou 18,37 milhões até junho de 2019.

Apesar de algumas discordâncias na sociedade, as áreas plantadas se mantiveram com crescimento aceitável - Brasil só utiliza 7,8% do seu território para a agricultura conforme estudo da Embrapa Territorial, em 2018. As terras destinadas a pastagens praticamente sem alterações.

Muito desse panorama pode ser explicado pelo aumento de investimentos em novas tecnologias na agricultura, já que todos os envolvidos com esse setor estão buscando soluções sustentáveis para otimizar a produção, sem aumentar as áreas de cultivo e ainda assim rentabilizar positivamente.

2. Profissionais do Agronegócio – perfil das pessoas ocupadas (PO)

O segmento vem demonstrando força, versatilidade e oportunidades para os profissionais de várias vertentes agrícolas, puxando o nível de escolaridade e capacitação para cima.

Um estudo da Michael Page, publicado pela Exame, revela que as contratações no agronegócio aumentaram em 25% entre 2016 e 2017. As posições com mais demanda para contratação estão nas áreas de operações (50%), finanças (30%) e vendas (20%).

Até o segundo trimestre de 2019, há registro de mais de 18 milhões de pessoas ocupadas com alguma prática ligada ao segmento agroindustrial. Isso representa a participação de 19,68% atribuída ao agronegócio no mercado de trabalho brasileiro, conforme o último levantamento do Cepea.

Segundo os mesmos pesquisadores, podemos observar os seguintes perfis: aumento no nível de informalidade dos empregos, de melhora no nível médio de qualificação da população ocupada e também de elevação na participação feminina no setor.

O estudo revela, até aqui, que as porcentagens de ocupados no Agronegócio Total com nível de escolaridade de Ensino Médio e Superior foram as que mais cresceram, atingindo 34.65% e 15,00%, respectivamente.

Levando em conta o grau de escolaridade e capacitação, no boletim final de 2018, o Cepea já apontava para o predomínio de profissionais com ensino superior atuando em serviços (29,70%), atividades industriais relacionadas à produção de insumos (26,32%) e ao processamento de bens agropecuários (14,74%).

Tratando-se de gênero, destaca-se mais uma vez o crescimento da atuação feminina no agronegócio. Mesmo sendo, ainda, um ambiente predominantemente masculino, elas estão ocupando cada vez espaço em diferentes posições e cargos importantes nas fazendas e empresas agrícolas.

De 2015 a 2019, a participação das mulheres no agronegócio saltou de cerca de 28%, para 31,58%.

A conquista do equilíbrio feminino na área agrícola pode ser explicada pelo seu interesse cada vez maior pela formação em ciências agrárias como Agronomia, Veterinária e Zootecnia. Uma pesquisa da Universidade de Passo Fundo, revela que na Medicina Veterinária, por exemplo, dos 118 mil médicos-veterinários em atividade no país, 49% são mulheres.

Além da graduação, elas também têm buscado por algo a mais. Atualmente é enorme o número de mulheres realizando intercâmbio em agricultura e agropecuária e estagiando em diversos países, principalmente Estados Unidos e Europa.

O mercado de trabalho tem evoluído a cada ano e para os negócios agrícolas não é diferente. Muitas dessas posições ocupadas hoje podem se alterar, se incorporadas a outras ou simplesmente deixarem de existir, principalmente pelo avanço tecnológico.

Cabe aos trabalhadores colocados e aos novos profissionais estarem atentos e aptos às mudanças. Veremos um pouco mais sobre elas a seguir.

Leia mais: Mulheres, a força inexplicável! Superando expectativas no estágio remunerado nos EUA.

3. Novas tecnologias na agricultura

A inserção de novas tecnologias aplicadas ao agronegócio vem contribuindo e modificando diversos aspectos do cotidiano agrícola.

O coordenador da Secretaria Executiva da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), Fabrício Juntolli estimou, em 2017, que cerca de 67% das propriedades agrícolas do país já usavam algum tipo de tecnologia, seja na área de gestão dos negócios ou nas atividades de cultivo e colheita da produção.

Para o agrônomo Luis G. Mendes, do portal Lavoura 10, são muitos fatores que impulsionam o crescimento e cada vez mais adeptos da tecnologia no campo.

Os principais motivos para substituição dos modelos tradicionais agrícolas para os mais tecnológicos são as pressões governamentais e dos consumidores e a preocupação em produzir alimentos melhores e mais sustentáveis.

Baseados na pesquisa, listamos alguns dos inúmeros benefícios que essas novas tecnologias aplicadas ao agronegócio tendem a oferecer:

  • Produção de maneira mais eficiente;
  • Redução de área cultivada;
  • Redução e uso responsável de defensivos e adubos;
  • Manejo integrado de pragas;
  • A irrigação e uso consciente da água;
  • Agricultura de precisão;
  • Alta coleta e interpretação dos dados provenientes das lavouras.

De acordo com a matéria do portal Bayer Jovens, esse novo cenário no campo aumentará a demanda por jovens profissionais, muitos deles vindos de áreas antes um pouco distantes das Ciências Agrárias, como: engenheiros eletrônicos, desenvolvedores de aplicativo, pesquisadores na área de manipulação genética, especialistas em sustentabilidade e meio ambiente, engenheiros de sistemas para máquinas agrícolas, controllers financeiros e outras profissões.

Os pesquisadores acreditam que o trabalho integrado das Ciências Agrárias e Tecnologia, responderá pelos avanços em melhoramento genético, nanotecnologia, biotecnologia, máquinas e equipamentos inteligentes, internet das coisas e tantas outras inovações que ajudarão a aumentar a produção de alimentos a fim de alimentar uma população em constante crescimento.

Para atender a demanda de toda essa evolução tecnológica na agricultura, os profissionais recém-formados nos seus respectivos cursos de graduação devem estar atentos às necessidades do mercado e procurar treinamentos e especializações.

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